quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Natã precisa de Davi: Na esperança da igreja profética. Milton Schwantes


Revista Estudos Teológicos, Vol. 18, Nª 3 (1978).

Conferência inaugural na Faculdade de Teologia da IECLB, proferida a 11 de outubro-de 1978.
Corre por aí a palavra de que a igreja é e precisa ser profética. Essa procura por uma igreja profética, sem dúvida, cresceu na nossa situação. É a inquietude de nosso continente. E, em nosso ambiente, a palavra da igreja profética tem sido, necessariamente, uma palavra crítica, na esperança de que na igreja - desde as diretorias das comunidades até a direção geral – tudo esteja voltado para o povo de Deus, para que o crucificado, e não o poderoso, seja ouvido. Nem de longe, porém, é essa hoje a única maneira, em que se descreve a igreja profética. Essa palavra da igreja profética tornou-se frequente. E vai sendo usada de várias maneiras.



A Cidade e a Torre (Gn 11.1-9): Exercícios hermenêuticos. Milton Schwantes


Publicano na revista Estudos Teológicos, Vol. 21, Nª2 (1981).

A hermenêutica bíblica é foco de atrito. Tempos passaram, em que na área da exegese havia bem menos turbulência. Foram épocas de certa calmaria em torno do método histórico-crítico. Os tempos mudaram. O prisma da hermenêutica projeta uma gama de posições. Uma interpretação dogmatizante parece ressurgir em meio tanto à agonia quanto, contraditoriamente, ao revigoramento da leitura histórico-crítica. Revive com entusiasmo uma leitura piedosa voltada com ênfase para as experiências pessoais e interessada com vigor no aspecto simbólico dos textos.
O conteúdo básico desse estudo foi apresentado em várias oportunidades, entre elas o Curso de Extensão Universitária sobre Pastoral Popular Libertadora (Porto Alegre/RS) e a Consulta sobre a Participação das Igrejas em Programas e Projetos de Desenvolvimento na América Latina do Conselho Mundial de Igrejas (em Itaici/SP). A gradeço a quem nestas e em outras ocasiões contribuiu com suas ponderações e críticas para a confecção desse texto.





Salmo 24: Uma Liturgia Singular. Milton Schwantes


Estudos Teológicos, Vol. 22, Nª 3 (1982).

A título de introdução saliento que o presente estudo foi elaborado no contexto do tema da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil para 1982: “Terra de Deus — Terra para Todos. O lema bíblico escolhido para este tema provém do SI 24: Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém”.
Proponho-me uma avaliação exegética deste belo salmo. Minha preocupação não será a de especificar o significado do tema para nossa igreja, já que neste sentido o Centro de Elaboração de Material tem editado excelente material. Posso, pois, concentrar-me no aprofundamento exegético.

No decorrer do estudo fui percebendo que as interpretações que Lutero dava ao SI 24 continuam sendo de interessante atualidade. Início, pois, com a tradução de algumas das passagens que me foram mais significativas.

Profecia e Estado: Uma proposta para a hermenêutica profética dedicado ao amigo e colega Erhard S. Gerstenberger. Milton Schwantes


Em Estudos Teológicos, Vol. 22, Nª 2 (1982).

Em lugar de uma introdução mais explícita, aponto para a exposição do primeiro palestrante deste nosso Ciclo de Palestras. O Pastor Orvandil Barbosa nos situou muito bem quanto ao sentido atual da igreja profética lembro tão somente duas de suas colocações: (1) Orvandil afirmava que nosso assunto ‘é o tema do dia a dia da vida da gente', mostrando, deste modo, que nossa temática não é uma elaboração geral, mas uma experiência pessoal do cristão em meio às lutas do povo brasileiro. (2) E expunha também que ‘o Estado que aí está não condiz nem ao povo e nem a seu projeto profético’. Estas colocações elucidam que a relação entre Igreja e Estado se evidencia como conflitiva na medida em que está enraizada na situação profética do povo.



terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Cidade da Justiça: Estudo Exegético de Is 1. 21-28. Dedicado ao Prof. D. Hans Walter Wolff pela passagem de seu 70ª aniversário. Milton Schwantes.

Estudos Teológicos VOL. 22, NO 1 (1982).

Este estudo provém de um duplo interesse:
Por um lado, estou empenhado em auscultar as profecias de Isaías. Tradicionalmente é o profeta do messianismo. Na atualidade as comunidades cristãs em meio a este nosso povo sofrido estão à escuta atenta deste profeta, da “palavra que Isaías viu” (2.1). A metodologia exegética poderia favorecer, talvez aguçar e radicalizar esta escuta; em especial, ela há de entrar num novo aprendizado que se impõe devido aos compromissos de atuação transformadora que as comunidades cristãs assumem. Que impulsos nos vem deste Isaías que tanto falou do novo, do projeto revolucionário?
Por outro lado, estou empenhado em clarear o jeito de ler textos vétero-testamentários, a partir do original hebraico. A metodologia exegética tem tradição secular; diversos são os passos exegéticos propostos. Que metodologia se poderia exercitar para que, ao mesmo tempo, não se perca de vista a profundidade teológica do texto e nem se caia no perigo de esfacelar a interpretação em fragmentos exegéticos?

O exercício que a seguir desenvolvo é, pois, uma procura em dupla direção; o projeto revolucionário de Isaías e a leitura criteriosa de um texto bíblico. Por certo que não é chegada, mas um ponto na caminhada.

“Da Boca de Pequeninos...” (enfoques antropológicos). Milton Schwantes

Publicado em Estudos Teológicos Vol. 24, No 2 (1984).

Breve Resumo
A tarefa, a mim colocada, requer uma interação entre agenda do mundo e agenda de igreja. Por isso não me proponho a intentar deduzir questões circunstanciais da responsabilidade ética, na política e ecologia, da reflexão sobre “o homem, coroa da criação”, porque, neste caso, correríamos o risco de dar-nos por satisfeitos com uma posterior contextualização da reflexão teológica e as práticas históricas latino-americanas.






A Gloria dos Governantes: Consiste em investigar a Corrupção. Um estudo de Provérbios 25. Milton Schwantes

Estudo sobre o capítulo 25 de Provérbios publicano na revista Estudos Teológicos VOL. 24, NO 1 (1984).

Breve Resumo
Tratar-se-ia de “provérbios de Salomão”. Esta expressão não necessariamente tem que ser entendida no sentido de que o rei Salomão do 10ª século é autor ou formulador dos provérbios, ainda que passagens como 1 Rs 5.9-14 (=4.29-34 em Almeida) assim o sugiram. Historicamente há de ter sido assim que, durante o reinado salomônico, ocorreu, no âmbito da corte, um incentivo à formação de pessoas letradas, de escribas e sábios, necessários na política e no comércio nacionais e internacionais. Na alfabetização e formação de tais funcionários eram usados, como em todo Antigo Oriente, preferencialmente textos sapienciais. Neste contexto passou-se a falar da sabedoria de Salomão.

A Herança de Javé: Meditando o Salmo 127. Milton Schwantes

Interpretação do Salmo 127 feita pelo prof. Milton.
ESTUDOS TEOLÓGICOS, VOL. 27, NO 2 (1987)

1. Cântico de peregrinação. De Salomão.
Se Javé não construir a casa,
em vão se esforçam os que a constroem.
Se Javé não guardar a cidade,
em vão vigia a sentinela.
2. Em vão vos será: adiantar o levantar,
atrasar o deitar, comer o pão da amargura.
A o seu amado ele o dá enquanto dorme.
3. Atenção!
A herança de Javé são os filhos.
Recompensa é o fruto do ventre.
4. Como flechas na mão do guerreiro,
assim são os filhos da juventude.
5. Feliz o homem que deles encheu sua aljava:
Não será envergonhado ao litigar com inimigos no
portão.

Resumo
O texto parece ser claro. E a impressão que se tem após um a primeira leitura. E, de fato, cada um dos versículos é transparente, é inteligível. A dificuldade aparece, quando se pergunta pelo objetivo do todo.
Qual é o sentido do conjunto do salmo? Em consequência, nossa tarefa consiste, por um lado, da análise das diferentes partes e, por outro lado, da verificação do alvo do conjunto.




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Legado do Prof. Milton Schwantes é tema da Semana de Estudos Teológicos de 2013

“Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado o nome do Senhor (Salmos 113:3)”

Evento realizado na mesma semana da Semana de Homilética, a Semana de Estudos Teológicos da FaTeo de2013 não poderia ter outro tema que não a  Palavra de Deus. E, ao enfatizar o estudo da Bíblia em suas reflexões, um nome sobressaiu: Milton Schwantes, consagrado biblista e pastor luterano, falecido em 2012, foi a inspiração para a Semana de Estudos Teológicos, da mesma forma que inspirou a formação de muitos/as estudantes da FaTeo – muitos deles hoje na condição de professores/as. Professor e aluno, para o professor Schwantes não havia distinção entre esses papéis. “Ele foi estudante durante toda a vida”, frisou o professor Rui Josgrilberg numa das palestras do evento, que começou com um culto de ação de graças por sua vida e obra.

Os painéis destacaram diversos aspectos do estudo bíblico, enfatizando a palavra como força que vivifica e dá esperança ao povo pobre e sofrido, que sempre esteve nas preocupações do professor Milton. 
Na foto ao lado, painel com o professor Tércio Siqueira, que falou sobre a “potencialidade criadora” da Palavra de Deus --  não como instrumento mágico de manipulação do sagrado, mas como “acontecimento”, evento que se concretiza na vida das pessoas.  Para saber mais, acompanhe as palestras da Semana de Estudos Teológicos, publicadas na íntegra no sitehttp://www.eventosfateo.com.br
No culto de encerramento da Semana Teológica 2013, a FaTeo celebrou a Eucaristia orando para que todas as casas possam ter pão nas suas mesas. O texto de preparação e a oração desse importante momento litúrgico é do professor Milton Schwantes: "Ao celebrar, na eucaristia, partimos o pão. Partilhamos comida. Cada qual um pedacinho. (...) Mas, isso até que nem é que não é o mais complicado.
Complica mesmo, quando a gente se dá conta das contas de Deus, de sua economia. Seu tema é o pão. Que coisa tão simples! Ele, Deus, está sempre de olho é mesmo nesse pão, no pãozinho: é pão na eucaristia. É pão no Pai Nosso. É pão nas multiplicações. É pão e pão. Até parece coisa meio que primitiva essa economia de Deus.
Irrita. Ah, atrapalha porque essa ‘coisinha’ do pãozinho não dá assunto para o “momento econômico” ou para o “caderno de economia”. Lá não fala de pão. Fala mesmo é de bolsa e de dólar e dessas grandes coisas. Pão, meu irmão, lá não tem.
E, aí, complica. Irrita. Agita.
Na favela, aí pertinho da Igreja, se luta pelo pão. Ah, se luta, e como. Todo dia batem à nossa porta. Pão é o que mais se quer. É o grito pela eucaristia, pela economia de Deus, essa economia das pequenas coisas que são, em verdade, as grandes.
Enfim, Deus é mesmo economista. É que Ele é economista das pequenas coisas.
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.” Isso é economia? Isso é oração? Isso é eucaristia? Diga-me!
Deus, tu que nos amas pelo pão de cada dia, dá que todos o tenham. Abre nossos corações e nossas mãos para que não só queiramos pão para nós, em nossa casa, mas em cada casa. Fortalece nossas vidas para que não só queiramos dedicar-nos a nós mesmos. Em Jesus, Amém!"
Na prédica, o professor Luiz Carlos Ramos falou sobre duas necessidades vitais para o ser humano: Pão e Palavra.
A programação da Semana de Estudos Teológicos incluiu, também, minicursos e exposições de trabalhos acadêmicos, que prosseguiram após o seu encerramento com a participação de estudantes da FaTeo no Congresso Metodista 2013. Nossos/as estudantes do 3º ano dos cursos de Teologia apresentaram, na ocasião, seus Trabalhos de Conclusão de Curso.


PROGRAMAÇÃO
Semana de Estudos Teológicos 2013 – Bíblia
II Simpósio da Rede de Homilética

“Milton Schwantes”: Bíblia e paixão, Leituras e releituras
21 a 23 de outubro de 2013

21 de outubro, segunda-feira
7h30 às 11h: Apresentação de Trabalhos de Pesquisa da FaTeo
11h00 às 12h00: Assembleia e Simpósio de Homilética
19h30 às 22h00: Celebração de Abertura
Pregação: Carlos Musskopfe
Participação: Rosi Schwantes
Painel 1: “A Bíblia como Palavra”
Tércio Machado Siqueira
Rui de Souza Josgrilberg

22 de outubro, terça-feira
7h30 às 11h: “A Bíblia como Palavra”
Painel 2: Tércio Machado Siqueira
Rui de Souza Josgrilberg
Flávio Schmitt
11h00 às 12h00: Assembleia e Simpósio de Homilética
14h00 às 17h00: Minicurso: Interlinear da Bíblia Hebraica  – Edson Faria Francisco
Minicurso: Salmos de Subidas – Grupo de Estudo
Minicurso: A Bíblia no Culto – Rede de Homilética
19h30 às 22h00: “Bíblia e Paixão”
Painel 3: Renatus Porath
Silvana Suaiden

23 de outubro, quarta-feira
7h30 às 11h: “Releituras da Bíblia”
Painel 4: Paulo Roberto Garcia
José Ademar Kaefer
Celebração de Encerramento
Pregação: Luiz Carlos Ramos
Participação: Tércio Siqueira/Suely Xavier
14h00 às 17h00: Minicurso: Apresentação de trabalhos de ex-alunos do Prof. MiltonSchwantes
Minicurso: A Bíblia e a Pregação – Rede de Homilética
19h30 às 22h00: “Releituras da Bíblia”
Painel 5: Samuel Salgado de Freitas
Suely Xavier dos Santos

24 de outubro, quinta-feira
7h30 às 11h: Apresentação de Trabalhos de Pesquisa da FaTeo.
19h30 às 22h00: Apresentação de Trabalhos de Pesquisa da FaTeo.

25 de outubro, sexta-feira
7h30 às 11h: Apresentação de Trabalhos de Pesquisa da FaTeo.
19h30 às 22h00: Apresentação de Trabalhos de Pesquisa da FaTeo.


Fonte: Metodista

sábado, 7 de setembro de 2013

Milton Schwantes: Bíblia e paixão, leituras e releituras


Semana de Estudos Teológicos 2013 – Bíblia
II Simpósio da Rede de Homilética

“Milton Schwantes”: Bíblia e paixão, Leituras e releituras
21 a 23 de outubro de 2013





sábado, 3 de agosto de 2013

Revista Estudos Bíblicos

Nos inícios da década de 1980 um grupo ecumênico de exegeta começou a se reunir com o propósito comum de iniciar uma leitura mais sistemática da Bíblia na ótica da opção preferencial pelos pobres. O grupo se propunha a fazer uma hermenêutica mais apropriada de leitura bíblica, partindo das realidades de conflito em que vivia o povo, mas valendo-se do instrumental da exegese histórico-crítica. As reuniões anuais duravam quatro a cinco dias. Entre os primeiros participantes, que lideravam o grupo, estavam Milton Schwantes, Gilberto Gorgulho, Ana Flora Anderson, José Comblin, Paulo Lockmann e Carlos Mesters. Algumas reuniões foram feitas em Angra dos Reis, junto aos carmelitas. Logo surgiu a ideia de se criar uma revista nova ou aproveitar a oferta do então redator da Revista Eclesiástica Brasileira/REB, Leonardo Boff. Inicialmente, não seria uma revista independente, mas uma anexo da REB.
Assim, em 1984, no vol. 44, fascículo 173 da REB, nasceu como apêndice o primeiro número de “Estudos Bíblicos”, com 66 páginas. O título era “A Bíblia como memória dos pobres”. O editorial era assinado por Leonardo Boff e Ludovico Garmus, responsáveis pela nova série por parte da Editora Vozes. Os autores do primeiro número eram:
Carlos Mesters;
Pablo Richard;
Milton Schwantes;
Alberto Antoniazzi.

Resumo do texto de Ludovico Garmus

Estudos Bíblicos. N. 100. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 9. 
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